Depois de algum tempo de marasmo no blog, resolvi voltar com um artigo um pouco menos tecnológico e mais sociológico. O foco aqui é no lado profissional de quem trabalha com afinco e dedicação no ramo de SegInfo.
Recentemente li um artigo da Forbes, intitulado “Why Top Talent Leaves: Top 10 Reasons Boiled Down to 1″. O artigo resume de forma direta o principal motivo dos talentos abandonarem empresas. Traduzindo livremente, da forma mais fiel possível: “Os melhores talentos saem de uma organização quando são mal gerenciados e a organização é confusa e não inspiradora”.
Meu objetivo nesse artigo de hoje é trazer isso para o mundo dos departamentos e empresas de SegInfo. Para adaptar melhor ao contexto, vamos mudar a conclusão acima para: “Bons profissionais de SegInfo vão embora quando há má gestão, confusão e consequentemente falta de motivação”. Assim, vou tentar responder à seguinte pergunta: quais seriam os indícios de má-gestão e confusão?
Na minha opinião, considero os fatores abaixo como os principais indícios de má gestão e confusão em SegInfo, que invariavelmente levam à desmotivação de profissionais que eventualmente passam por estas situações:
- CSOs ao invés de Security Leaders: a liderança nata cada vez mais escassa abre margem ao surgimento de “ocupantes de cargos com siglas”. O que se espera de um verdadeiro gestor de SegInfo é a liderança de sua equipe, mostrando claramente quais são os objetivos da área, porque e como todos devem atuar para atingí-los. Sim, o verdadeiro líder convence sua equipe da importância de objetivos plausíveis por ele definidos e defendidos, sem precisar se basear unicamente em metas “top-down”.
- “Casa de ferreiro, espeto de pau”: esse indício pode ser mais comum em empresas de consultoria de SegInfo. Vendem uma parafernalha tecnológica de ponta, mas nem mesmo o mais simples anti-vírus esta instalado nas estações. Claro que nem preciso dizer o risco disso (não que anti-vírus seja a solução para todos os males, nós bem sabemos…). E profissional de SegInfo se irrita demais com esse tipo de situação! Pior ainda é quando não estão disponíveis as ferramentas necessárias para o trabalho, aquelas que apoiam os processos (quando estes existem).
- “Síndrome da barata-tonta”: em SegInfo é mais conhecida como “Oh meu Deus, fomos invadidos, e agora!”. A confusão impera por não existirem processos e procedimentos definidos formalmente, nem muito menos divulgação e treinamentos sobre os mesmos.
- “Complexo de bombeiro”: muito comum em áreas mal estruturadas ou com pouca mão-de-obra qualificada (talentos!). Nestas, o dia-a-dia da equipe de SegInfo é apagar incêndios. Nunca há tempo ou incentivo para planos de adequação, prevenção ou preparação.
- Relatórios “para-inglês-ver”: auto explicativo. Já se depararam com isso?
Essa lista certamente é não exaustiva. Vocês que trabalham na área devem estar imaginando várias outras situações e indícios de má gestão e confusão. Algum comentário?